| Alquimia entre os Árabes | ||
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| Textos Técnicos - A Historia da Quimica na Joalheria |
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Fundaram-se academias e centros de estudos, nos séculos VIII e IX, tendo os
árabes se empenhado na tarefa de traduzir as obras gregas em filosofia, astronomia, matemática, medicina , religião, alquimia. Os cristãos na Síria lideraram este movimento sendo também resposáveis pela disseminação dos conhecimentos alquímicos dos gregos e egípcios de Alexandria. Um livro de alquimia mística com forte vinculação egípcia, o Livro de Crates (Democritos) , é conhecido deste período, e relacionado com idéias Herméticas (Hermes Trismegistos). Tais idéias místicas foram também consideradas no século seguinte, X, pelo alquimista Muhamad ibn Umail, com seu livro Águas prateadas e terra brilhante, que se tornou muito influente. Em Harran, uma cidade que era um centro eclético de estudos filosóficos, havia já muito tempo, com mistura de idéias sírias, persas e gregas, e onde se cultivava a alquimia, que tinha se tornado muito popular, o trabalho e o comércio com metais e outras substâncias era intenso. É natural que as idéias de transmutação de metais e outros conceitos da alquimia grega e egípcia tivessem sido adotados e enriquecidos pelos árabes neste período. O alquimista muçulmano mais famoso é Jabir ibn Hayyan (721?-803), considerado o pai da alquimia árabe. Após ter seu pai decapitado, por participar numa tentativa de derrubada do Califa, foi para a Arabia onde uniu-se a uma seita Xiita chamada Ismailiia. Esta seita cultivava doutrinas místicas, numerologia Pitagórica e adotava uma cosmologia que preconizava uma relação entre o macrocosmo e o microcosmo. Também patrocinava a publicacão de trabalhos em alquimia. Há mais de 2.000 trabalhos atribuidos a Jabir num período que se estende até o século XIV. Isto indica que, na realidade, outros autores da Ismailiia assinavam os manuscritos, para garantir circulação, com o nome de Jabir, que na Europa ficou conhecido, séculos depois, como Geber. Por este motivo as obras de Jabir são tambem conhecidas como a Coletânea de Jabir. A filosofia natural de Jabir estava relacionada com as doutrinas alquímicas de Alexandria e a filosofia de Aristoteles. Entretanto, embora adotando o conceito dos quatro elementos- fogo, terra, água e ar- e suas qualidades- calor, frio, umidade, e secura- achava que duas delas se combinavam constituindo as qualidades " exteriores" dos metais enquanto as restantes eram "interiores" e inatas. Supunha que metais eram constituidos de mercúrio combinado com enxôfre e que diferiam uns dos outros pela diferença de suas qualidades. Acreditava que se a proporção das qualidades fôsse conhecida em determinado metal, e se estas fossem separadas do mesmo, haveria a possibilidade de combiná-las em novas proporções e obter metal diferente. Desta maneira seria possível transformar metais em ouro. Na parte operacional a distilação destrutiva procurava isolar estas naturezas primitivas dos elementos alquímicos. As substâncias eram então destiladas repetidamente, frequentemente centenas de vezes, na esperança de isolar as qualidades básicas. Supunha-se também que a adição de uma outra substância, que teria o poder de absorver uma das qualidades, facilitaria esta tarefa. Um outro alquimista muçulmano de destaque, que se dedicou à medicina, é Abu Bakr Muhammad ibn Zakaryya al-Razi (866-925), conhecido como Rahzes em Latim, nascido na cidade de Ray ou Rhagae. Escreveu 21 livros de alquimia mas sòmente alguns são conhecidos. No Kitab Sirr al-Asrar (Livro do Segredo dos Segredos) Razi faz uma exposição minunciosa e classificatória dos equipamentos e das substâncias utilizadas até então na alquimia. Classificava as substâncias como animal, vegetal e mineral. As minerais podiam ser espíritos, pedras, corpos, vitríolos, boraxes e sais. Os espíritos podiam ser de quatro variedades: dois voláteis e incombustíveis, o mercúrio e o sal amoníaco, e dois voláteis e combustíveis, o enxôfre e o ‘arsênico’ (realgar ou orpimento). As pedras incluiam: galena, stibnita, hematita, pirita, malaquita, vidro, lapis lazuli e gesso. Sua classificação dos vitriolos não é muito clara mas incluia neles o sulfato ferroso e o alumen. Os boraxes incluiam o natrão e os sais incluiam o sal comum, a cal hidratada e os carbonatos de sódio e potássio. No seu livro Razi menciona outros materiais de uso comum: cinábrio, chumbo branco e vermelho, litargírio, óxido de ferro, óxido de cobre, vinagre de vinho. Os equipamentos usados no laboratório incluiam frascos, caçarolas, cristalizadores de vidro, copos, jarros com tampa, espátulas, pinças, moinho de pedra para trituração e cadinhos simples e duplos para a purificação de metais. Fornos de vários tipos, entre os quais o athanor, ou al-tannur, um fôrno feito de tijolos, no fundo do qual se colocava um recipiente com cinzas envolvendo o material a ser tratado, eram frequentemente usados. Para aquecimento usavam velas, chamas de nafta, carvão, e outros materiais combustíveis. As chamas eram sopradas com foles de couro mas as chaminés não eram ainda utilizadas. Os sistemas de destilação usados neste período eram praticamente iguais aos dos alquimistas de Alexandria. O alambique, ou retorta, era mergulhado em cinzas ou em água sob ação do aquecimento. Razi também descreve, no seu livro, receitas para a preparação de muitas substâncias, entre as quais polisulfeto de calcio, a partir de enxôfre e cal virgem, e álcalis cáusticos a partir de carbonato de sódio (al-Qili) , cal e sal amoníaco. O al-Qili era obtido por lixiviação de cinzas de plantas. A solução resultante podia dissolver vários materiais incluindo a mica. Os textos de Jabir e al-Razi inclinam-se mais para uma apresentação da alquimia prática, experimental, deixando de lado a parte mística e filosófica típica de Alexandria. Assim, embora admitissem a transmutação de metais e a busca de elixires, os principais alquimistas desta época concentraram-se mais nos aspectos práticos da arte no laboratório. Esta atitude influenciou não só os alquimistas muçulmanos posteriores como também, séculos mais tarde, os alquimistas europeus. Um grande filósofo-cientista surgiu na Pérsia no século X, Abu ‘Ali al-Husayn ibn ´Abd Allah ibn Sina (980-1037) ou Avicena , seu nome no ocidente. Avicena, um insaciável estudioso, dedicou-se à medicina e à filosofia tendo sido considerado, pelo seu vasto conhecimento, o principal sábio da Pérsia. É reconhecido no ocidente como príncipe da medicina. Não era filiado à seita Ismailiia tendo desenvolvido seus conhecimentos por conta propria. Possivelmente esta ocurrência tenha-lhe proporcionado uma visão mais racionalista da ciência. Escritor prolífico deixou mais de 200 tratados sôbre quase todos os assumtos de seu tempo. Era um médico extraordinário e um experimentador lúcido. Embora aceitasse a teoria aristotélica dos elementos Avicena rejeitava a transmutação de metais. Reconhecia que o que os alquimistas conseguiam na verdade era fazer imitações colorindo os metais vulgares de branco (prata), amarelo (ouro) e côr de cobre. Acreditava que estas qualidades eram impingidas aos metais e que os processos usados, entre os quais a fusão, por exemplo, não podiam afetar a proporção de seus elementos constituintes. Considerava que a proporção de tais elementos era uma característica de cada metal. Assim como suas obras as idéias alquímicas de Avicena tiveram grande influência nos séculos posteriores. No final do século X aparece um outro livro famoso, Rutbat al-Hakim ou Avanço do Sábio, de autoria de Maslama al-Majriti. Era um famoso astrônomo mourísco da Espanha, país que tinha sido subjugado pelos árabes no século VIII. Este livro expõe essencialmente as mesmas idéias dos alquimistas muçulmanos, como Jabir, mas aborda detalhes experimentais que indicavam uma preocupação com aspectos quantitativos das transformações observadas. A alquimia no mundo muçulmano atingiu seu apogeu no século X. Como reflexo da situação política inconstante não sofreu avanços racionais na sua interpretação. Apesar disto os árabes contribuiram substancialmente para a formulação da teoria da composição das substâncias (teoria enxôfre-mercúrio). Cultivaram com intensidade os paradigmas da alquimia helenista já conhecidos de séculos anteriores. A parte mística da alquimia intensificou-se, entretanto, embora nos séculos XI,XII e XIII surgissem comentaristas e divulgadores da arte, que não acrescentaram nada de importante. Um dos grandes méritos dos alquimistas árabes foi a tradução das principais obras dos autores antigos para a sua língua e o enriquecimento das idéias de forma mais objetiva. A divulgação destas obras pelo seu império permitiu, mais tarde, uma verdaderira revolução cultural na Europa. Do ponto de vista da alquimia experimental aperfeiçoaram a prática da destilação orientando-a para a separação dos princípios básicos constituintes das substâncias. Progrediram na classificação dos minerais e contribuiram para a descoberta dos álcalis. Fizeram progressos no uso de elixires na medicina e na transformação de metais além do estudo de substâncias orgânicas. |
